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29-08-2018

Ministro culpa aumento do emprego jovem pela quebra nas candidaturas ao superior

Nem despacho de vagas, nem quebra nas notas dos exames de Matemática, nem fatores demográficos.   Para o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, o que explica a redução "relativamente baixa" de cerca de três mil candidatos (2956) na primeira fase de acesso ao ensino superior, que terminou com 49 624 inscritos, é "o aumento brutal do mercado de trabalho de relativas baixas qualificações, particularmente induzido pelo crescimento do turismo".   Uma evolução, diz, que torna ainda mais urgente a diversificação do tipo de cursos oferecidos nas instituições. Manuel Heitor cita dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo os quais, entre jovens com menos de 24 anos que concluíram o ensino secundário, "o emprego aumentou quase 40%" nos últimos anos. Hoje, são cerca de 165 mil", diz, acrescentando que alguns destes jovens "nem sequer se inscrevem nos exames" do ensino secundário antes de tentarem a sua sorte no mercado de trabalho. “Isto implica claramente a evolução para um novo perfil de estudante e uma necessidade absoluta de conjugarmos as estratégias das instituições do ensino superior com uma população de estudantes que trabalham ao mesmo tempo".   Não é o perfil típico das instituições do ensino superior, que se especializaram sobretudo em jovens da formação inicial", considera. "Muitas instituições não têm um único curso noturno."   A esse nível, Heitor defende que o governo está já a apontar o caminho, nomeadamente através do novo regime legal de graus e diplomas que, entre outras medidas, como a possibilidade de os politécnicos atribuírem doutoramentos, vêm "alargar a oferta de cursos curtos", tanto nos ciclos iniciais como no que respeita pós-graduações.
05-07-2018

Qual o perfil do estudante na Europa?

Chama-se Eurostudent, vai na sexta edição, tem o financiamento dos países que nele participam e do programa da União Europeia Erasmus+, bem como dos ministérios da Educação da Alemanha e da Holanda.   O inquérito foi feito a 320 mil alunos de 28 países. As respostas permitem traçar o perfil de quem está a estudar para ter um diploma superior.   Em média, no seu percurso escolar, 7% dos estudantes do ensino superior interrompem temporariamente as suas licenciaturas ou mestrados, pelo menos durante dois semestres consecutivos, por alguma destas razões. É esta a taxa em Portugal e também no conjunto dos países analisados no Eurostudent. Croácia, Estónia, Turquia e Albânia apresentam percentagens maiores, entre os 10% e os 15%. Portugal é dos países onde as questões económicas são as mais referidas para justificar a pausa: 41% dos estudantes que interrompem temporariamente os estudos superiores dizem que o motivo principal é “dificuldades económicas”. Nos 28 países analisados, a percentagem dos que alegam o mesmo é de 27%. A falta de motivação é apontada por 35% dos portugueses, não muito longe da média internacional, que é de 31%. É a segunda razão mais mencionada. Portugal volta a estar fora da regra noutro aspecto: na maior parte dos países é nos cursos de mestrado que é mais frequente interromper os estudos; aqui, é mais comum acontecer nas licenciaturas do que nos mestrados, como assinala o relatório.   O relatório avalia ainda o número de horas semanais dedicadas a um trabalho pago. Num terço dos países, a média é inferior a 10 horas por semana. É o caso de Portugal (nove horas em média), Dinamarca, Itália, Suíça, Albânia, França, Sérvia, Turquia e Suécia. Em Portugal são os alunos de cursos de Gestão, Administração e Direito os que mais horas dedicam a um trabalho pago enquanto estudam (14 horas semanais). Os de Matemática, Estatística e Ciências passam apenas três horas semanais a exercer um trabalho pago. Como seria de esperar os que ainda vivem com os pais são os que menos conciliam estudos e trabalho (seis horas, quando a média dos 28 países é 10).   O perfil do Eurostudent mostra ainda o background familiar dos alunos. Em Portugal apenas 35% têm pais que também têm um grau superior. A média dos 28 países é 47%. Na Alemanha 73% dos alunos têm pais diplomados. Mais dados sobre o estatuto socioeconómico dos alunos: um em cada cinco portugueses (22%) diz que os pais “não estão bem na vida”. A média é 20%.
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